A Educação segundo Zigmunt Bauman

A Educação segundo Zigmunt Bauman – Qual será o futuro da educação?

Por Fernando Rebouças

Pensar e analisar a evolução da sociedade humana no contexto da modernidade sólida e da modernidade líquida é uma das principais marcas de pesquisas e estudos do sociólogo polonês, Zigmunt Bauman, autor do livro “Modernidade Líquida”, publicado no Brasil pela editora Zahar, leia sobre o livro em: http://agendapesquisa.com.br/modernidade-liquida-livro/

Mas, de refletir a respeito da formação do indivíduo, dos mercados e da comunicação nos dois tipos de modernidades, onde fica situada a educação e sua missão de formar melhores cidadãos e profissionais. Na modernidade líquida, estaria o ser humano destinado a somente estudar para se preparar para o mercado, num mundo cada vez mais instável e passageiro, a educação seria apenas um repositório de conhecimentos ou de transformações?

Em entrevista publicado no jornal O Globo, no dia 28 de agosto de 2015, o sociólogo apresentou suas opiniões a respeito do assunto, e afirmou que “a educação dever ser pensada durante a vida inteira.” Leia a seguir trecho da entrevista:

– Qual a diferença entre educar na era pré-moderna e na modernidade líquida dos dias atuais?

Muita coisa se transformou no trabalho dos professores. Como o educador E.O. Wilson observou: “estamos nos afogando em informações e, ao meso tempo, famintos por sabedoria”. A cada dia, o volume de novas informações excede milhões de vezes a capacidades do cérebro humano de retê-las. A mudança da sociedade moderna de sólida para um estágio líquido coincide, segundo a terminologia de Byung-Chul Han (teórico sul-coreano) com  a passagem da “sociedade da disciplina” para a “sociedade do desempenho”. Esta última é, principalmente, a sociedade de desempenho individual e da “cultura de afundar ou nadar sozinho”. Mesmo indivíduos emancipados descobrem que eles mesmos não estão à altura das exigências da vida individualizada.

– E como será o futuro?

Uma coisa é certa é que, num cenário líquido, rápido e de mudanças imprevisíveis, a educação deve ser pensada durante a vida inteira. O resto vai depender de nossas escolhas dentro do que é possível para essa obrigação. E deixa eu enfatizar que esse “nós” que faz as escolhas não é limitado aos profissionais de educação. Para citar Will Stanton, professor australiano, que nos mantém alerta de que há muitos que pretendem ensinar nossos filhos apenas a obedecer: “Devemos aceitar autoridade como verdade em vez da verdade como autoridade”. Ele ainda diz: “O que é a mídia mainstream se não outra plataforma de ‘educação’ defendendo a autoridade como verdade? Nós sentamos em frente ao noticiário noturno e escutamos âncoras e repórteres nos dizendo o que pensar, a quem apontar nossos dedos, porque nosso país precisa ir para a guerra e com o que a gente deve se horrorizar”. Considere ainda o tremendo impacto da indústria da publicidade em nós mesmos ou no que as crianças aprendem ou no que elas foram levadas a esquecer. Por exemplo, crianças não nascem inseguras. A publicidade é que as deixa apavoradas com o que as outras pessoas pensam delas.

– O senhor afirma que o fato de a educação superior não garantir mais ascensão social é um problema para a educação tal qual conhecemos. Qual a solução para esse problema?

Ascensão social é uma sinfonia, não um canto gregoriano monofônico. A educação superior é apenas um dos muitos sons que se fundem na melodia, e um dos muito poucos instrumentos que contribuem para sua evolução. Nós configuramos o problema e torcemos por soluções, como o ensino superior, porque alguns desses “nós” que se preocupam, pensam e escrevem sobre o problema têm ensino superior e passaram anos sendo ensinadas que vivemos em uma “sociedade do conhecimento” que continua sendo transformada pelo tipo de conhecimento definido, armazenado e distribuído por universidades. Isso não é necessariamente correto — pelo menos até quando isso permanecer sem ressalvas. O que nós percebemos como ascensão social é um rio cuja trajetória resulta de vários afluentes. Mais e mais pessoas por trás das mudanças sociais que chamamos de “ascensão” desistiram da universidade ou nunca entraram nela.

Comentário:

Tendo o livro “Modernidade Líquida” como ponto de partida, a modernidade sólida que guiou o capitalismo sólido no qual o mercado era orientado pelo produto e pela quantidade; pela fixação de estruturas produtivas e continuidade de linhas de um mesmo pensamento e razões permanentes. Com as diferenças geradas pela atual modernidade líquida, cujo capitalismo é líquido, focado no setor de serviços, sempre com produtos e utilidades sendo atualizadas e reproduzidas de uma nova forma e com novos componentes tecnológicos, geram um mercado e uma sociedade na qual o indivíduo deve estar sempre estudando, se renovando e se colocando em diferentes habilidades que independem dos resultados obtidos no meio acadêmico.

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