Alimentação e meio ambiente

Alimentação e meio ambiente

Por Fernando Rebouças

Sem as abelhas e os demais insetos, sem a água e sem as proteínas presentes no solo seria praticamente impossível manter a produção de alimentos no mundo. Portanto, defender os seres vivos e o meio ambiente não são apenas  objetivos conservacionista, mas um conjunto de objetivos que visam manter o equilíbrio da natureza, a sobrevivência de todas as espécies e a qualidade de vida das pessoas.

Entre os ciclos químicos e físicos, podemos citar, como exemplo, o processo de fixação de nitrogênio, considerado um elemento fundamental na composição de aminoácidos nos organismos vivos. Os aminoácidos são importantes na composição das proteínas e dos nucleotídeos (que compõem os ácidos nucleicos). O processo de fixação de nitrogênio, geralmente, é realizado por espécies de cianobactéricas e bactérias encontradas no solo. Dentre as bactérias, podemos destacar a do gênero “Rhizobium” que vivem nas raízes de leguminosas como o feijão, a soja e a ervilha.

Essa descrição da fixação do nitrogênio é apenas uma parte de conjunto de fatores e funções biológicas presentes na contínua e natural renovação dos elementos da natureza  que, utilizados pelo homem, servem como base para a produção de alimentos e manutenção de nossas vidas. Portanto, a produção e a oferta de alimentos no mundo deveriam não somente visar o lucro e os seus tributos, a agricultura e a pecuária deveriam ser geridos considerando o lucro como um meio e não um fim. A finalidade da produção de alimentos, em primeira escala,  deveria atender as necessidades vitais do ser humano com métodos de produção sustentáveis e, numa segunda escala, atender às necessidades do mercado para a geração de empregos, produtos e serviços também sustentáveis.

Ou seja, a agricultura e a pecuária deveriam ser os primeiro setores da economia replanejados pela visão da sustentabilidade ambiental, social e econômica. Considerando a inserção  do cultivo  orgânico  em nível mundial, teríamos a garantia da geração de empregos, da oferta de alimentos sadios sem elementos  tóxicos através de processos de produção harmônicos com a natureza. No contexto da sustentabilidade, a produção de alimentos,  realizada para atender o mercado interno de cada país poderia ser isenta de impostos, o que ajudaria a diminuir os custos de implantação de novos métodos sustentáveis no plantio e na criação, diminuindo o preço do alimento e os impactos ambientais na sua produção.

Outro fator que preocupa a segurança alimentar do mundo é  o desperdício. No dia 21 de janeiro de 2016, durante o Fórum Econômico Mundial, realizada em Davos, trinta líderes internacionais se reuniram com o objetivo de inspirar ações para reduzir o desperdício de alimentos em todo o mundo. Segundo dados apresentados pela direção do grupo, um terço de toda a comida produzida pelo homem ao ano é desperdiçada. O objetivo é conseguir reduzir esse desperdício em 50% até 2030.

Considerando o tripé da sustentabilidade, diminuir o desperdício de alimentos geraria mais renda e emprego (com economia de dinheiro), aumentaria a oferta aliviando a fome e mitigaria os impactos no clima, pois, quando você consome ou desperdiça alimento, há o consumo da “água virtual”, ou seja, toda a quantidade de água que foi utilizado na produção, processamento e embalagem do produto final. Portanto, é fundamental termos uma visão mais responsável na questão dos alimentos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *