Atentado terrorista na França contra Jornal Charlie Habdo

Atentado terrorista na França contra Jornal Charlie Habdo

Por Fernando Rebouças

No dia 7 de janeiro de 2015, por volta das 11 horas da manhã, em Paris, três homens encapuzados, vestidos de preto e portando  fuzis e coletes à prova de bala desceram de um Citröen C3 próximo ao número 10 da Rua Nicolas-Appert, sede do jornal semanário Charlie Habdo. Depois de terem errado a entrada do prédio, entraram na recepção do prédio do jornal atirando e matando funcionários, jornalistas e cartunistas na redação.

Ao saírem do prédio, ainda executaram na calçada o policial que prestava guarda ao editor-chefe do jornal. Durante as execuções o trio de atiradores gritavam “Deus é grande” e “Vingamos o profeta Maomé, matamos o Charlie Hebdo!”. Esse foi o atentado terrorista mais violento da história da França desde 1961, quando, na época, uma bomba havia sido explodida pela Organização do Exército Secreto francês provocando 28 vítimas na linha de trem Estraburgo-Paris.

Segundo a Polícia francesa, os três atiradores foram identificados como Said Kouachi e Cherif Kouachi (irmãos), e Hamyd Mourad, cunhado dos irmãos. Dentre as pessoas assassinadas na redação, o trio de terroristas assassinou o diretor e os três cartunistas mais famosos da França: Stéphane Charbonnier, o Charb (diretor);  Jean Cabul, o Cabu; Bernard Verlhac, o Tignous; e Georges Wolinski, um dos cartunistas mais antigos da França e fundador das edições precursoras do jornal Charlie Hebdo.

O jornal Charlie Hebdo já era alvo de ameaças de morte e de investidas terroristas (como uma bomba que explodira a sede do jornal em novembro de 2011) e as ameaças de mortecontra o diretor  que justificava a presença de uma policial na porta do jornal.

O jornal tinha conteúdo de humor satírico e ácido, foi lançado no ano de 1970, e desde então sempre se envolveu em grandes polêmicas. O jornal Charlie Hebdo (“Charlie” em homenagem ao personagem de quadrinhos norte-americano Charlie Brown) sempre defendia a liberdade plena de expressão sem autocensura ou censura prévia. O jornal se sustentava a partir da vendagem nas bancas e não recebia anúncios de empresas.

Em 1981, o jornal fechou as portas, sendo relançado em 1992, com a ajuda de um investidor. Em 1992, o jornal já alcançara 120.000 exemplares com grande sucesso de público.  Em seus cartuns e capa, o jornal já satirizou a política francesa e internacional; e os dogmas de todas as religões, mais notadamente do islamismo, ao retratar várias vezes a caricatura do profeta Maomé, algo inaceitável pela religião mulçumana que não aceita a reprodução do rosto do profeta em qualquer pretexto.

No ano de 2011, durante a eclosão da Primavera Árabe, o jornal semanal retornou a incomodar os fundamentalistas mulçumanos a publicar uma edição especial para festejar a vitória do partido islâmico Ennahda, na Tunísia. Segundo o falecido diretor de redação, Charba, o jornal em sua história já havia enfrentado 12 processos da extrema direita católica e apenas um processo judicial de origem mulçumana.

Antes do atentado, o jornal atravessava dificuldades financeiras, mas, após o assassinato terrorista na redação, grandes grupos de mídias da França começaram a oferecer ajuda para a manutenção do jornal. Em todo o mundo, líderes políticos, religiosos e de entidades que defendem a liberdade de imprensa declararam que o fato fica na registrado na história como um grave atentado à liberdade de imprensa e civil no mundo.

Referências:

Jornal O Globo (impresso), caderno “Mundo”, 8 de janeiro de 2015.

Estadão On-line: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,franca-confirma-identidade-de-suspeito-de-atacar-charlie-hebdo,1617135

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