Célula sintética

Célula sintética.

Por Fernando Rebouças

No dia 20 de maio de 2010, cientistas americanos anunciaram a criação da primeira célula sintética, tecnicamente trata-se de uma célula controlada por um genoma sintético gerado em laboratório.

Os estudos foram realizados pelo J. Craig Venter Institute, instituição situado em Maryland e na Califórnia. Os cientistas acreditam que essa nova técnica ajude a gerar bactérias planejadas para a solução de problemas ambientais, energéticos e da saúde humana com melhor exatidão.

Essa descoberta marca um importante passo na biotecnologia e uma nova era na biologia sintética. A equipe envolvida no estudo já havia iniciado e conseguido sintetizar o genoma de uma bactéria e realizar um transplante de genoma de uma bactéria para a outra.

Os pesquisadores aliaram as duas técnicas para a criação da “célula sintética”, considerando o genoma da célula a única parte sintética. Em suma, é uma célula natural que recebeu o genoma para que os cientistas criassem a célula sintética.

A célula é referida de sintética por ter sido gerada a partir de um cromossomo sintético, composto por quatro substâncias químicas num sintetizador químico, num planejamento cujas informações foram controladas por computador.

As aplicações futuras podem ser imensas, há a ideia de utilizar as células sintéticas para acelerar a fabricação de vacinas e criar algas que absorvam o dióxido de carbono. Há a possibilidade da criação de novas substâncias químicas, purificação da águas e ingredientes para alimentos.

O estudo em si foi elaborado a partir do genoma da bactéria M. mycoides que foi sintetizado, o mesmo genoma recebeu sequências de DNA como “marcas d´água” para que a mesma não fosse confundida com as bactérias naturais.

Foram adicionadas sequências curtas que foram juntadas por enzimas de correção de DNA presentes nas leveduras das células. As sequências foram inseridas em bactérias E. coli e, posteriormente, foram transferidas de volta ao fermento. Os cientistas conseguiram produzir um genoma com mais de um milhão de pares de comprimento.

Na fase final, os pesquisadores inseriram o genona sintético da bactéria M. mycoides na bactéria Myoplasma capricolum. O novo genoma passou a controlar as células receptoras.

Nessa pesquisa, fica claro que o DNA sintético tem a possibilidade de assumir o controle da célula e ainda operar as funções da nova célula receptora. No dia seguinte do anúncio da descoberta, o Vaticano declarou que a criação da célula sintética pode significar um representativo avanço para a humanidade, desde que a mesma seja respeitada e a nova técnica utilizada com ética. A Igreja Católica lembrou aos cientistas que somente Deus pode criar a vida e que somente dará um passo atrás se a célula sintética for utilizada de modo negativo.

Referências:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u738110.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u738699.shtml

 

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