Condições de vida das mulheres no Oriente Médio

Condições de vida das mulheres no Oriente Médio.

Por Fernando Rebouças

A partir dos anos 1960, o mundo assistiu ao feminismo, um movimento que ocorreu em diferentes países e que modificou a vida, expressão e posicionamento das mulheres no mundo, alterando as relações sociais e ampliando a liberdade sexual, principalmente, no mundo ocidental. Porém, os avanços desse movimento não se tornaram muito palpáveis nos países árabes, mas determinado leves mudanças.

Recentemente, um importante líder religioso da Arábia Saudita, Abdul Aziz Al-Asheik,  não acatou a possibilidade de uma mulher se casar contra a sua vontade, considerando o caso como uma injustiça e um ato não-islâmico. Na Arábia Saudita, os líderes religiosos exercem importante influência sobre o dia a dia da população.

A partir de então, o casamento obrigatório deixou de existir na Arábia Saudita. No ano de 2005, no Catar, o voto feminino começou a valer a partir da promulgação de uma nova Constituição. No mesmo ano, centenas de manifestantes exigiram o direito ao voto feminino no Kuwait.

Porém, os avanços nas áreas sociais, econômicas e políticas nem sempre são alcançadas de maneira plena e igual em todos os países do Oriente Médio. Em Gaza, Palestina, por exemplo, as mulheres reclamam de não terem uma vida normal. Segundo Mona el-Farra, médica e ativista pelos direitos humanos em Gaza, as mulheres palestinas lutam pela igualdade de gêneros e oportunidades, principalmente, com o objetivo de acabar com a violência e a imposição do homem sobre a mulher. Além do aspecto doméstico, as mulheres palestina sofrem com os ataques israelenses, muitas perdem filhos, irmãos e maridos; e a própria vida por causa das investidas militares contra essa região da Palestina.

Segundo dados de uma pesquisa realizada em 2009 pelo Centro Palestino de Direitos Humanos, nos ataques efetuados por Israel no final de 2008, das 1.400 pessoas mortas, 112 eram mulheres.

Segundo as mulheres palestinas, o maior sofrimento delas está ligado à falta de emprego causado pelo bloqueio israelense e a pobreza local. Analisando dados do estudo “Gaza 2020: um lugar habitável?” publicado pela ONU em agosto de 2012, 47% das mulheres não tinham emprego fixo no início de 2012.

A respeito da relação doméstica entre casados no Oriente Médio, leia uma breve descrição dos hábitos de uma mulher na Arábia Saudita, descrito por Aysha Alkusayer, que blogueira  no In the Making:

“Minha amiga ‘Y’ é casada. Seu marido gosta que ela se cubra completamente em Riyadh: ‘abaya‘[En], véu e cobertura facial, e que se cubra parcialmente em Dharan [En] [cidade menos conservadora na província Leste da Arábia Saudita]. Ela pode descobrir seu rosto na companhia e ‘A’ e ‘B’ mas nunca na presença de ‘C’. Quando estão viajando, ele quer que ela fique totalmente descoberta, exceto quando há parentes por perto. Ele pede que ela se vista conservadoramente (por exemplo, com saia longa) na presença da família dele, mas que use calças e roupas não-conservadoras na presença das famílias de amigos ‘A’, ‘B’ e ‘C’. Ele não quer que ela use qualquer maquiagem quando está fora de casa, mas quer que ela esteja totalmente maquiada quando está dentro de casa. […] Ele tem cada pedacinho da vida dela planejado. A vida de casado de minha amiga não é diferente da de muitas mulheres sauditas, e eu não me refiro à questão de cobrir-se ou descobrir-se, e sim a este micro-gerenciamento [da vida da mulher] […] Este gerenciamento detalhado não é denunciado pela mente coletiva mas é geralmente esperado e considerado um indicador de paternidade responsável — sim, paternidade até mesmo em relação à esposa. […] Algumas esposas se adaptam a esta relação marido-mulher… mas quando o mel se derrete, muitas mulheres começam a se sentir iguais e competitivas com seus maridos, e sensíveis a respeito de serem ordenadas por eles.”

Referências:

http://envolverde.com.br/noticias/como-sobrevive-uma-mulher-em-gaza/

http://veja.abril.com.br/especiais/mulher_2006/p_048.html

http://pt.globalvoicesonline.org/2008/09/05/arabia-saudita-mulheres-que-encontram-forca-e-empoderamento-na-religiao/

 

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