Coronelismo

Coronelismo

A figura de um coronel encarnado num tradicional fazendeiro, empresário ou político local já foi muito utilizada na ficção para personificar a atuação de um indivíduo no “coronelismo”, termo brasileiro para definir o uso de autoridade privada e seus interesses acima da representatividade pública e do interesse comum. O coronelismo, historicamente, praticado no Brasil possui como características:

– Poder pessoal e privado concentrado e mais forte do que o poder público;

– Controle ou influência sobre os setores econômicos, políticos e sociais de uma região;

– Mandonismo e apadrinhamento;

– Fraude eleitoral para eleger os candidatos apoiados pelos coronéis;

Apesar da existência de nuances de coronelismo no Brasil atual, historicamente, essa prática de concentração de poder político e econômico perdurou no Brasil entre 1889 (Proclamação da República no Brasil) e a Revolução de 1930, com a prisão dos coronéis baianos. No Brasil, o coronelismo na República Velha teve seu auge no início do século XX, fase marcada por manipulação nas áreas econômicas e políticas incluindo perseguição e mortes causadas por vinganças políticas.

Porém, além do poder privado exercido, o coronelismo no Brasil teve origem no desenvolvimento da Guarda Nacional no século XIX, ou seja, quando um grande proprietário de terra era leal ao governo recebia o cargo de “coronel” para controlar determinada região, mantido no cargo a partir de trocas de favores com o governo.

A partir da Proclamação da República e da inclusão do voto municipal e estadual, os coronéis locais começaram a influenciar na escolha dos representantes políticos da região, a apadrinhar políticos que correspondessem a seus interesses, interferir nas ordens policiais e jurídicas e gerar pressão econômica sobre os demais produtores agrícolas da região. Quando a situação saía do controle do coronel, a força da violência era utilizada para impor a sua ordem e seus interesses. Nessa fase, era muito comum o voto de cabresto, ou seja, as pessoas eram obrigadas a votarem no candidato do coronel em troca de favores.

No ano de 2011, o Coronelismo caiu no ENEM, veja a questão:

ENEM 2011  QUESTÃO 17

Completamente analfabeto, ou quase, sem assistência médica, não lendo jornais, nem revistas, nas quais se limita a ver as figuras, o trabalhador rural, a não ser em casos esporádicos, tem o patrão na conta de benfeitor. No plano político, ele luta com o “coronel” e pelo “coronel”. Aí estão os votos de cabresto, que resultam, em grande parte, da nossa organização econômica rural.

LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa-Ômega, 1978 (adaptado).

O coronelismo, fenômeno político da Primeira República (1889-1930), tinha como uma de suas principais características o controle do voto, o que limitava, portanto, o exercício da cidadania. Nesse período, esta prática estava vinculada a uma estrutura social

A –  igualitária, com um nível satisfatório de distribuição da renda.

B –  estagnada, com uma relativa harmonia entre as classes.

C –  tradicional, com a manutenção da escravidão nos engenhos como forma produtiva típica.

D –  ditatorial, perturbada por um constante clima de opressão mantido pelo exército e polícia.

E –  agrária, marcada pela concentração da terra e do poder político local e regional.

RESPOSTA CORRETA: E

 

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