A cultura brasileira em Cuba

A cultura brasileira em Cuba.

Por Fernando Rebouças

Nos anos 1990, a novela “Roque Santeiro” conquistou o coração dos telespectadores cubanos, a TV estatal de Cuba antes de realizar sua própria dramaturgia comprava diferentes novelas brasileiras para entreter sua população. Porém, antes do sucesso das telenovelas, o audiovisual brasileiro já era conhecido em solo cubano por meio do Cinema Novo e de Glauber Rocha.

Além do audiovisual, a literatura brasileira é amplamente conhecida entre os cubanos. O Brasil foi convidado de destaque na 14ª edição da Feira Internacional do Livro de Havana. Segundo dados do governo local, cerca de 1 milhão de cubanos estudam português através de cursos transmitidos pela TV, o conhecimento sobre o idioma reforça a admiração em relação à literatura brasileira.

Recentemente, o escritor brasileiro Rubem Fonseca recebeu o prêmio Narrativa José Maria outorgado pelo país, antes do escritor brasileiro, o mesmo prêmio havia diso entregue para escritores argentinos, nicaraguenses, chilenos e de outros países da América hispânica. Na premiação há ainda uma categoria especial para a Literatura Brasileira desde 1980, que já premiou Moacyr Scliar e Walter Galvani.

A música brasileira também é muito admirada, principalmente, a partir da bossa-nova e do samba. Segundo o escritor cubano Reinaldo Monteiro, há uma forte influência da cultura brasileira sobre a literatura, música e cinema em Cuba, porém, o Brasil pouco conhece sobre a cultura cubana, isso pode ser explicado pelo fato do brasileiro se sentir mais um americano do sul do que um latino americano. O escritor foi o vencedor do prêmio de literatura de seu país em 1986, e declarou, à imprensa brasileira, as seguintes opiniões:

“ Sabe o que acontece? Os brasileiros, a maioria deles ao menos, não se sentem latino-americanos. Isso é muito curioso porque a influência do Brasil na América Latina e, em especial, em Cuba, é extraordinária. O conhecimento que há do Brasil em Cuba é enorme: o tropicalismo, o Cinema Novo, o primeiro título da coleção Casa de las Americas foi Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Essa influência é mais antiga ainda e chega até a música que vocês chamam de erudita. As Bachianas de Villa Lobos, em especial uma interpretação memorável que se fez da Bachiana nº 5, influenciaram o nacionalismo musical cubano, a música “culta”, como se diz em espanhol, nos anos 30 e 40. Depois, com o tropicalismo e o Cinema Novo, nos anos 50 e 60, poderia se dizer que a música brasileira era tão cubana quanto a cubana.

Eu vim para o Brasil pela primeira vez, em 1986, convidado pela Câmara do Livro de São Paulo, para a Bienal do Livro. Eu lembro que cheguei à noite e me levaram para o hotel. Quando cheguei na recepção do hotel vi num mapa da cidade que estava perto da Ipiranga com a São João. Ipiranga com São João? Alguma coisa acontece no meu coração…Eu saí do hotel e fui até à esquina da Ipiranga com São João, o que, naquele tempo, era muito perigoso. Esse é o exemplo vivo do conhecimento que há em Cuba sobre o Brasil. Não sei quantos brasileiros podem ir a Havana e fazer algo assim(…).

Nessa minha vinda ao Brasil em 1986 fiz minha primeira tentativa de ler português. Trazia comigo Grande Sertão Veredas e um parágrafo marcado para que meu amigo Humberto Werneck, jornalista da Isto É na época, me explicasse o significado. Neste parágrafo eu entendia todas as palavras isoladamente, mas não entendia nada. Perguntei a ele que respondeu: eu também não sei, quer que eu seja adivinho…Meu interesse pela literatura brasileira está baseado na Casa de las Americas que publicou no primeiro número de sua coleção latino-americana, nos anos 60, as Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Eu li o livro nos anos 70 e depois li outras histórias de Machado que foram publicadas um pouco mais tarde.

Depois li São Bernardo, que gostei muito mais do que Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Ou seja, desde o meu período de formação eu lia naturalmente autores brasileiros e, é claro, muitas outras coisas. Eu lia com uma fúria adolescente que evoco com nostalgia, com saudade, como diriam vocês. Também li a poesia de Drummond de Andrade e de Vinicius de Moraes. Um pouco mais tarde, chegou Clarice Lispector, sobretudo A paixão segundo GH, e, mais recentemente, Raduan Nassar. E todas essas leituras foram facilitadas pelas edições cubanas. Cabe lembrar também que na Casa de las Americas há um prêmio de literatura brasileira.”

Referências:

http://ponto.outraspalavras.net/2012/11/08/reinaldo-montero-cuba-distancia-brasil-em-relacao-a-america-latina/

http://www.literal.com.br/acervodoportal/literatura-brasileira-em-cuba-1135/

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