Cultura do consumo, segundo Don Slater

Cultura do consumo, segundo Don Slater

Por Fernando Rebouças

“O Consumo é uma categoria sociologia e elusiva.” (Don Slater)

A sociedade humana não é produto nato do consumo e sim geradora do consumo. A partir do surgimento da sociedade industrial ou conforme declaram os revisionistas históricos a partir da Revolução do Consumo pré-industrial, a sociedade inicia um novo processo de relacionamento socioeconômico.

A manufatura e, posteriormente, a indústria geram profundas mudanças na concepção e constituição da sociedade. A indústria por meio de seus processos de mecanização, divisão de trabalho e produção em série em alta escala gerou novas relações de trabalho, de renda e de obtenção de “objetos de consumo”. Os referidos objetos de consumo buscados pela necessidade e desejo de status.

O sociólogo Don Slater ainda afirma: “A sociedade humana não prescindiu do consumo para se reproduzir física e socialmente (…). O consumo é tratado como ponto de chegada de uma sociedade industrial.”

A sociedade da abundância por excelência é aquela que colhe os frutos de seu trabalho através do consumo. O trabalho é considerado como o método ou o conjunto de processo pelo qual o indivíduo obtém renda e poder de compra para efetivar o seu ciclo de consumo. O ato de consumir está ligado à obtenção de produtos, serviços e marcas para suprir necessidades, desejos e projetar status social.

Além de adquirir produtos e serviços, os consumidores precisam dar sentido ao que consumiram em relação ao processo de aceitação social e identificação em suas experiências sociais e culturais.

Don Slater também reflete o tema: “A cultura do consumo não é algo imposto pela modernidade ocidental, é uma das áreas em que todas as pessoas tentam construir sua própria modernidade (…). Pensar sobre a globalização em relação ao consumo levante imediatamente questões sobre meio ambiente e sustentabilidade, sobre a natureza da interdependência e da desigualdade, sobre a natureza da diferença cultural e da tolerância, sobre a natureza da liberdade e do poder numa era de neoliberalismo”.

Podemos compreender que “poder consumir” significa “poder escolher”. No contexto das questões ambientais, sociais e culturais, o poder de consumir em relação à liberdade e o poder que o consumo permite numa sociedade neoliberal, muitas vezes, não depende das normas do Estado ou do governo. O consumo interfere na organização social e na percepção de necessidades essenciais e desejos do cidadão.

 

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