Engenharia Cultural e os estudos de Fernando Portella – Entrevista

Engenharia Cultural e os estudos de Fernando Portella – Entrevista.

Por Fernando Rebouças

Todo projeto nasce de uma ideia. Mas, para que o projeto se torne em realidade e em resultados, é necessário capacidade, métodos, planejamento e capacidade de gestão. A partir de uma visão multidisciplinar e atual, o escritor Fernando Portella publicou o livro “Engenharia Cultural”, publicado pela editora Cidade Viva. Leia a seguir entrevista exclusiva que realizamos com o autor.

– Fernando Portella, resuma seu currículo geral:

Nasci poeta, serei sempre poeta. Formado em engenharia, larguei a profissão para fazer teatro; deixei o teatro para escrever, fui editor de jornal, depois Diretor de Planejamento da Prefeitura de Petrópolis, Secretário de Turismo e Cultura de Petrópolis, Secretário de Turismo e Cultura de Cabo Frio, Subsecretário de Estado Cultura do Rio de Janeiro, quando coordenei a criação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Em seguida criei o Instituto Cultural Cesgranrio, depois fui seu Diretor. Adiante implantei o 1º programa cultural para o Sistema SEBRAE – Programa Empreendedor Cultural realizado em 11 estados brasileiros. Criei o Instituto Cultural Cidade Viva, onde estou há 17 anos. Também sou Diretor Executivo da empresa Engenharia Cultural e (23 anos) da Editora Cidade Viva (5 anos).

1 – O que é Engenharia Cultural

É um conjunto de estratégias, criadas com base na experiência de empreendedores, necessárias para transformar uma ideia cultural em projeto e este em realidade.

2 – Qual o verdadeiro conceito de sustentabilidade no contexto da Engenharia Cultural?

Sustentabilidade é o resultado de um trabalho permanente que passa com profissionalismo pelo Ciclo da Produção Cultural: do plano da criação para o plano do planejamento e depois para realização, atingindo um público que realimenta este processo.

3 – É possível trabalhar em rede e, ao mesmo tempo, manter a identidade com o que se faz? Ou seja, trabalhar com grupos de trabalhos remotos via internet e celular sem perder a origem das ideias , dos projetos e dos signos culturais de uma produção?

Com certeza. Os profissionais de diversas áreas que envolvem um projeto se unem e se identificam, com a realização do projeto. Não há sucesso se não se faz o que se acredita. O projeto está acima de todos nós e deve ter um objetivo de bem coletivo para sensibilizar uma cadeia de pessoas com conhecimentos diversos. Nenhum profissional deste nosso mercado possui o conhecimento total do processo de produção. A rede nos une cada qual na sua função. Não se trabalha sozinho no mercado cultural. O diálogo presencial e à distância se complementam, ambos são fundamentais.

4 – Atualmente, qual é o principal objetivo e função de um produtor cultural?

O produtor é aquele que transforma uma ideia que acredita em produto. É um trabalho criativo, administrativo e executivo. Ele enxerga todos os caminhos para que uma ideia se transforme em projeto e este em realidade. Para mim ele é o artista do mercado. E faz isto sem ferir a criação, busca viabilizar uma obra, na qual acredita, não importa sua tendência.

5 – No Brasil, a produção cultural ainda está atrelada aos editais públicos de patrocínio?

Infelizmente sim, pois não há conhecimento do lado público e do lado privado da importância da arte e da cultura para educação, terceiro setor, meio ambiente, turismo, segurança e outros setores de desenvolvimento. Nossa Rede tem crescido sem ser dependente de editais.

6 – Onde podemos inserir o crowdfunding na nova realidade do produtor cultural?

Acho ótimo – tende a crescer muito. É um novo caminho.

7 – Na sua opinião, o setor de eventos no Brasil ainda é proposto de maneira semi amadora e gerido por médias empresas?

Há excelentes profissionais e empresas de eventos no Brasil, grandes, médias e pequenas. Não os vejo como amadores. Todos estão em processo de crescimento, entre erros e acertos.

8 – No seu livro, você destaca a Era do Conhecimento dentro de um capítulo exclusivo. Como a gestão cultural pode sempre se adaptar às constantes mudanças tecnológicas e de conhecimento de nosso atual mundo?

É preciso estar antenado nas mudanças que geram novas oportunidades numa velocidade incrível. Um estágio alcançado sugere novos caminhos e estes outros. Trabalhamos hoje com uma média de 60 projetos, 20% em produção, 30% em processo de fechamento, 20% que podem acontecer e 40% são ideias (textos básicos) que nos provocam com novas possibilidades, mas com chances de acontecer. Trabalhamos sempre com “uma luz no final do túnel”.

9 – Deixe suas considerações finais.

Nosso mailing é o nosso tesouro. Quem a gente conhece é a nossa maior riqueza. Agende sua semana lendo-o com calma. Cada nome lhe sugere uma ação ou não. Não tenha medo de telefonar e marcar encontros. Contatos apenas por e-mail não resolvem. Valorize o presencial. Na medida em que você acredita todas as portas se abrem. Saiba que não vendemos projetos, buscamos parceiros, nos relacionamos com pessoas e desta relação podem, ou não, surgir bons projetos ou excelentes amigos. Nós não produzimos nada que não tenha um benefício cultural e social, assim atingimos de forma intangível o coletivo que deseja um mundo melhor.

Livro

Conheça e adquira o livro “Engenharia Cultural” de Fernando Portella: http://www.editoracidadeviva.com.br/engenharia-cultural

 

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