A Igreja e a transição cubana

A Igreja e a transição cubana.

Por Fernando Rebouças

Segundo Jon Lee Anderson, jornalista e autor de uma das biografias mais completas sobre Che Guevara (Che – Uma Biografia), a Igreja Católica pode servir de parceira num processo de transição política e econômica na ilha dos irmãos Fidel. A Cuba pós-revolucionária sempre se posicionou como um país ateu e  independente de religião, porém, grande parte dos cubanos se auto denominam católicos, mesmo praticando um catolicismo misturado com ritos do sincretismo religioso.

Em 1998, Cuba recebeu a  visita do falecido Papa João Paulo II, um acontecimento significativo em que muitos especialistas apontavam o evento como uma possível inserção da Igreja como garantidora de uma abertura política. Porém, em 2003, essa esperança foi perdida quando o então presidente dos EUA, George W. Bush, invadiu o Iraque, fator que desestimulou  qualquer abertura inspirada nos moldes norte-americano.

Depois da doença de Fidel Castro, e seu consequente afastamento, Cuba entrou num processo de insegurança ao ser inicialmente governada pelo irmão Raúl Castro. Apesar da Venezuela chavista ter concedido benefícios e doações a Cuba, a ilha dos irmãos Fidel não evoluiu para uma eficaz abertura sob o apoio de Hugo Chavez.

A visita do Papa Bento XVI em março de 2012, em Cuba, reabriu as expectativas antes iniciadas pelo seu antecessor, Papa João Paulo II. Espera-se que Cuba, nos próximos anos, consiga imitar o modelo econômico de países antes pertencentes ao bloco comunista: China, Vietnã, entre outros; que mantiveram o modelo político comunista, mas com abertura econômica. Porém isso dependerá da segurança dos Castros ou de uma renovação política na ilha.

Os Castros poderão utilizar a presença da Igreja Católica como garantidora de um processo se transição composto por algumas limitadas liberdades políticas, sem que o processo ameace a autoridade do Partido Comunista cubano.

O comunismo cubano é conservador e difícil de aceitar mudanças profundas no mercado e no traço social de Cuba, um país que possui uma agricultura frágil, um mercado negro de imóveis, uma crescente rede de prostituição, e dependência direta na pesca e no turismo.

A respeito do livro “Che-Uma Biografia”, o autor Jon Lee Anderson acredita que a imagem de Che Guevara é percebida pela atual juventude cubana de duas maneiras: uma a compreende como um homem que simboliza a presença dos velhos homens que dominam o país; e outra que o reverencia como um pai ou quase cristo.

Na época da revolução cubana, Fidel Castro foi excomungado pelo Papa João XXIII, mas apesar do passado tenso com a Igreja, a histórica excomungação não impediu a visita do Papa em 1998, e um retorno ao diálogo com a Igreja.

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o_em_Cuba

http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=125

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120326_papa_cuba_fr.shtml

Jornal O Globo, seção “Mundo”, 1° de abril de 2012.

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