A língua inglesa na África

A língua inglesa na África

Por Fernando Rebouças

São 54 países que compõem o continente africano, desse total, 22 países declaram a língua inglesa como a língua oficial na constituição: África do Sul, Botsuana, Camarões, Gâmbia, Ghana, Lesoto, Libéria, Madagascar, Maláui, Maurício, Namíbia, Nigéria, Ruanda, Serra Leoa, Seychelles, Suazilândia, Sudão, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue, Quênia e Uganda. A África do Sul se destaca por ser a nação mais desenvolvida do continente.

Além da língua inglesa, em cada país há línguas nativas e dialetos muito utilizados pelas populações, principalmente, no interior de cada país. Segundo o livro “A língua inglesa na África” publicado pelas editoras Unicamp/FAP-Unifesp, há pelo menos 2.100 línguas em todo o continente africano, segundo estimativas da Unesco.

Muitas dessas línguas locais correm o risco de extinção, como o “n|uu” que era falado por somente oito pessoas no ano de 2008. As estimativas apontam para o desaparecimento de grande parte das línguas locais e dialetos até o final do século XXI.

A língua inglesa, por ser uma língua de grande força comercial e industrial na sociedade global, se impõe nos países africanos onde ela é oficial e também onde não é. A autora do livro “A língua inglesa na África”, Angela Lamas Rodrigues, destaca que a supremacia de uma língua sobre a outra não ocorre devido a sua superioridade gramatical na escrita ou no seu uso oral, mas a partir de condições materiais e históricas que favorecem a predominância de determinado idioma.

Atualmente, no mundo globalizado, a língua possui fatores culturais na sua utilização e identificação comum numa sociedade e uma representação de signos de acesso ao mundo dos negócios e da indústria cultural. Em sua obra, a autora ainda explana:

“Entendido como um legado do colonialismo, o uso oficial de línguas europeias no pós-independência dos países africanos é , em grande parte, sustentado pelas políticas neocoloniais que prevalecem no continente. (…) É preciso que se entenda a situação linguística na África, considerando-se que a marginalização das línguas africanas é potencializada pelo impacto caudado pelos Planos de Ajuste Estrutural (PAE) impostos aos países africanos pelo FMI e pelo Bando Mundial. No continente africano, os PAE vêm exercendo um enorme impacto nos sistemas educacionais por meio, por exemplo, da privatização das universidades, que reduz de forma drástica o número de alunos no ensino superior, privilegiando aqueles que pertencem às elites e que são também, não por coincidência, proficientes nas línguas europeias.”

Portanto, a predominância da língua inglesa na África possui origem colonial e sua manutenção segue os ajustes econômicos, comerciais e culturais introduzidos por instituições europeias ocidentais. É necessário refletir sobre em qual ponto o uso crescente da língua inglesa na África representa inclusão e exclusão no contexto das sociedades africanas.

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A Língua Inglesa na África - Opressão, Negociação, Resistência

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