Natal de Jesus

Natal de Jesus ( artigo de opinião).

Por Fernando Rebouças

Vivemos num mundo cada vez mais globalizado, acelerado e poluído. Mais da metade da população do planeta vive em moradias e cidades carentes de infraestrutura, de água e de transporte adequado. Realidade presente em cidades de diferentes países, principalmente, nos países em desenvolvimento e nos mais pobres.

Os países mais ricos, apesar das conquistas sociais consolidadas, no início do século XXI, se veem desafiados a gerarem novo ciclo de crescimento econômico, porém, com baixo impacto socioambiental. Sabemos que vivemos e trabalhamos por um sistema econômico que propicia  desigualdade, perdas pessoais e familiares,  destruição ambiental e uma interrogação: as coisas que temos realmente nos pertencem?

Não pertenço ao grupo de intelectuais que veneram a miséria alheia como base de explicação para a problemática  social, pois, acredito que Deus é abundante de vida; a natureza é abundante em seu processo de geração e de  renovação; e o universo é mais do que infinito. Portanto, a fartura do planeta deve ser distribuída para todos, mesmo utilizando os mesmos mecanismos mercadológicos de organização do trabalho sem que o Estado mande em nossas vidas e em nossas casas. É o homem que trabalha desconectado da verdadeira vida, aplicado sob o individualismo, a limitação e a diferenciação social exploratória.

Apesar de ser considerado como o líder religioso e filosófico mais inteligente no campo da espiritualidade de todos os tempos, Jesus Cristo viveu como um igual, atento a todas as nossas imperfeições e sofrimentos. A maioria da população mundial daquela época já vivia em situações difíceis como a carência de água potável, pão e conhecimento. A multidão sofrida e doente sempre seguia Jesus Cristo.

A sua palavra atraia não somente os sábios, mas os simples de coração e pobres de espírito , pobres na matéria e socialmente desvalidos. A doença segue Jesus em busca de cura, a inconsciência o segue em busca de conhecimento, e a multidão o segue em busca de pão. Ele é o verdadeiro aniversariante e, ao invés de ser presenteado, ainda nos dá o que o mundo não pode proporcionar a cada um de nós. O Natal é de Jesus, mas quem faz a festa é o excesso de comércio que não consegue construir oportunidade de trabalho, estudo e sobrevivência para todos.

Quando Jesus nasceu ele não tinha casa, ele não tinha água potável, não tinha transporte adequado e, apesar de todas as dificuldades, deixou uma mensagem que ultrapassa os tempos e as fronteiras da religião. Foi morto como rei dos judeus e renasceu como o salvador de uma humanidade que mesmo avançando tecnologicamente, permite  para a maioria o desconforto de uma manjedoura e a mesma injustiça que Jesus sofreu.

Artigo publicado pelo autor, originalmente, no jornal Gazeta News (Flórida – EUA), dia  19 de dezembro de 2013.

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