A política segundo Mario Sergio Cortella

A política segundo Mario Sergio Cortella

Por Fernando Rebouças

Mario Sergio Cortella é filósofo, professor na PUC-SP, e considerado um dos principais especialistas em educação e política no Brasil. Além de analisar as questões do cotidiano, Cortella tem sido muito consultado pela mídia para analisar o ambiente político e social do nosso país e do mundo.

Numa de suas palestras, Cortella afirmou que em grego a palavra “idiotas” se referia na antiguidade às pessoas que não participavam na vida política de sua comunidade, o idiota é a pessoa fechada em si mesma. Por outro lado, na Grécia Clássica, o cidadão participante da vida social era chamado de “politikos”.

A partir da afirmação de Raul Seixas que tentou buscar um conceito de sociedade alternativa, é necessário que a sociedade não seja vítima do óbvio. Porém, a política no seu alcance institucional gera relações de poder.

A relação de poder existe a partir da relação humana em multiplicidade (profusão), cada indivíduo tem autonomia de agir sobre si mesmo, mas a partir de uma organização coletiva que permite a convivência e a necessidade de administração comum com consequentes conflitos. Do ponto de vista mais sério, o conflito busca o convencimento enquanto que o confronto gera a guerra e a perda.

A respeito da democracia brasileira, Cortella considera a nossa democracia muito jovem, pois o Brasil tem mais de 500 anos de história e mais de 30 anos de democracia constitucional (pós 1985). Cortella também indica as restrições existentes em instituições importantes como a escola, onde há pouco debate sobre a participação coletiva das pessoas em sociedade.

O filósofo considera essencial a valorização da discussão da política no cotidiano sem depender de imposição de matérias obrigatórias como a antiga “Educação Cívica” aplicada no Brasil para as gerações anteriores.

O grande erro no Brasil, segundo Cortella, é confundir e separar os termos “política” e “cidadania”, pois, na prática, ambos possuem significados similares para gerar a noção de comunidade e convivência.  A política não pode ser vista somente pelo viés apenas partidário ou restrito sob a ótica do funcionamento dos três poderes.

Na escola brasileira, Cortella defende que a escola deveria ensinar “democracia” a partir do significado da convivência e suas demandas sociais. Essa noção deve ser apresentada em sala de aula desde a educação infantil incluindo valores como partilha, respeito e direito. No ensino médio seria possível aliar a convivência prática dentro da teoria de cada matéria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *