Por uma educação que nos ensine a pensar e não a obedecer

Por uma educação que nos ensine a pensar e não a obedecer

Por Fernando Rebouças

Organizar o espaço de aprendizagem, ter disciplina para cumprir horários e respeitar o próximo são fatores essenciais para a convivência social escolar. Porém aprender a ser obediente, somente obediente às regras de convívio, não deve ser o único objetivo do processo de aprendizagem.

É necessário que o ambiente de aprendizagem formal e informal tenha espaços e tempo para pausas, recreação, interação e, sobretudo, para a reflexão. Absorver conhecimento e conteúdo não deve ser a etapa única do plano educacional.

Em tempos de novas tecnologias de acesso a conteúdos, percebemos a facilidade a leitura de textos e imagens através da internet permitindo o chamado “cola” e “copia” no desenvolvimento de pesquisas e trabalhos escolares e acadêmicos, processo que afasta o aluno de um processo de desenvolvimento mais eficaz de sua capacidade intelectual.

Ainda a respeito da tecnologia da informação na escola, Claude Lessard e Anylène Carpentier no livro Políticas Educacionais, publicado no Brasil pela editora Vozes, afirmam:

“Nem todos os diversos instrumentos em atividade no seio de uma tecnologia de mudança em educação têm um alcance transformacional ou, em outras palavras, uma relação direta com a prática. A tecnologia visa, entretanto, transformar o núcleo institucional da escola. Para fazê-lo, alguns dos instrumentos em atividade têm um alcance disciplinar ou motivacional, enquanto outros entram diretamente na escola e implicam uma relação direta com as práticas.”

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A tecnologia de informação aplicada à educação pode ser um meio, mas jamais será um fim no processo de desenvolvimento do indivíduo que não pode ser tratado como um receptor passivo de conteúdo e conhecimento, seja esse conteúdo apresentado pelo professor ou acessado pelos dispositivos virtuais. É necessário que o estudante seja incentivado a refletir, questionar e analisar tudo o que ele recebe de conhecimento e informação em seu ambiente analógico e no universo digital.

Obedecer protocolos de convivência para o bem comum não é sinônimo de ser apático, repetidor ou distanciado das inovações que podem entrar na escola e nas vidas dos discentes. Saber pensar e analisar o que é lido e percebido é essencial, pois quem pensa melhor age melhor na vida.

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