Redes de Indignação e Esperança (livro)

 

Redes de Indignação e Esperança (livro)

Por Fernando Rebouças

O sociólogo Manuel Castells buscou por meio de seu livro “Redes de Indignação e Esperança – Movimentos sociais na era da internet”, publicado no Brasil, pela editora Zahar, entender e explicar como surgem e se disseminam os movimentos sociais contra o Estado, a corrupção e a favor dos direitos civis na internet.

A Internet, a partir do uso das redes sociais nos anos 2000 e 2010, começou a ser utilizada como plataforma de denúncia, reclamação e aproximação de cidadãos que se juntam em prol de um objetivo justo de cunho socioeconômico. Porém, o livro destaca as manifestações iniciadas nas ruas, nas praças públicas e nas redes sociais com a mesma força de atração sedenta por mudanças, realizada e mantida por multidões de manifestantes no Oriente Médio, onde tivemos a Primavera Árabe iniciada na Tunísia; nos EUA, no decorrer dos movimentos Occupy Wall Street; no movimento dos Indignados, na Espanha; e também o de junho de 2013, no Brasil.

Todos os movimentos tinham em comum o uso das novas mídias para o planejamento e concentração popular para a realização de passeatas no meio físico e elaboração de compartilhamento de ideias no campo virtual com uma postura de luta contra os governos ditatoriais, contra a crise financeira e a favor de direitos sociais. No contexto do sentimento humano, o medo se transforma em raiva e depois em sentimento de ação quando um indivíduo identifica sua luta em grupos que também lutam pelo mesmo objetivo de indignação, é o que Manuel Castells conceitua como a centelha da indignação, o que torna os movimentos em algo viral, não somente no mundo real, mas numa altíssima velocidade no mundo virtual, seguindo a lógica da internet.

Os movimentos não são virais somente pela transmissão e compartilhamento das mensagens, mas por causa do efeito causado por movimentos que surgem por toda parte. A capacidade “viral” dos movimentos, seja dentro ou fora da internet, demonstra sua força de um grupo para o outro, de uma cidade para a outra, de um país para o outro.  Um movimento popular ocorrido num país ou região remota pode inspirar um novo movimento social e político em outro país. O que explica a influência inicial que os protestos da Primavera Árabe desempenharam nos protestos e movimentos do Occupy Wall Street, nos EUA.

Na Internet, a relação comunicacional é horizontal, ou seja, ocorre entre cidadão e cidadão; consumidor e consumidor, sem a intermediação de uma liderança ou representatividade superior. Concluímos este artigo com um trecho do livro que justifica a origem e o porquê da rápida disseminação e transmissão de mensagens no processo de formação e consolidação dos movimentos:

“As redes horizontais, multimodais, tanto na internet quanto nos espaço urbano, criam companheirismo. Essa é uma questão fundamental para o movimento, porque é pelo companheirismo que as pessoas superam o medo e descobrem a esperança. Companheirismo não é comunidade porque esta implica uma série de valores comuns, e isso é uma obra em progresso no movimento (…). A horizontalidade das redes favorece a cooperação e a solidariedade, ao mesmo tempo que reduz a necessidade de liderança formal.” (págs 166 e 167).

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