Renúncia do Papa Bento XVI

Renúncia do Papa Bento XVI.

Por Fernando Rebouças

No dia 11 de fevereiro de 2013, o Papa Bento XVI anunciou sua renúncia durante a reunião de Cardeais realizada para a canonização de três mártires. O pedido de renúncia foi confirmado pelo Vaticano que planejou a oficializado do ato para o dia 28 de fevereiro de 2013.

Um novo Papa seria escolhido em março antes da Páscoa, mas, apesar da habilidade do Vaticano de se manter organizado, o pedido de renúncia de Bento XVI causou surpresa e espanto em toda a comunidade católica pelo mundo.

Além do espanto, causou dúvidas sobre o processo de sucessão e o futuro da igreja Católica que, durante a gestão de Bento XVI assistiu ao crescimento das igrejas evangélicas e do islamismo no mundo.

O Papa Bento XVI foi eleito no dia 19 de abril de 2005, logo depois do falecimento de seu antecessor João Paulo II. Em 2005, Bento XVI tinha 78 anos. Apesar das surpresas perante a sua renúncia, a renúncia de um Papa está prevista no artigo 332.2 do Código de Direito Canônico.

Por outro lado, a renuncia deve ser de livre e espontânea vontade, e a decisão não pode ser cancelada. Na história do Vaticano, diversos Papas foram depostos por imperadores, mas os pontífices que renunciaram pela própria vontade foram Celestino V, em 1294; Gregório XII a contragosto em 1415; Ponciano, em 235; Silvério, em 537; João XVIII, em 1009; e Bento IX, em 1045.

O Papa Bento XVI justificou a sua saída pela sua idade avançada, em fevereiro de 2013 já havia completado 85 anos de idade, sem forças para se manter no cargo, e com problemas cardíacos. Leia a seguir a sua carta de renúncia na íntegra.

“Caros irmãos:

 

Convoquei-os para este consitório, não apenas para as três canonizações, mas também para comunicar a vocês uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro. Eu estou bem consciente de qu esse ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deve ser levado não apenas com com palavras e fatos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a mudanças tão rápidas e abalado por questões de profunda relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e proclamar o Evangelho, é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimos meses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado. Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, confiado a mim pelos cardeais em 19 de abril de 2005, pelo qual a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a Sé de Roma, a Sé de São Pedro, vai estar vaga e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice terá de ser convocado por quem tem competência para isso.

Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram em meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aos cuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria para que ajude os cardeiais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada à oração.

 

Vaticano, 10 de fevereiro de 2013.

 

BENEDICTUS PP. XVI”

Referências:

http://g1.globo.com/mundo/renuncia-sucessao-papa-bento-xvi/noticia/2013/02/leia-perguntas-e-respostas-sobre-renuncia-do-papa-bento-xvi.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/leia-integra-do-discurso-de-renuncia-do-papa-bento-xvi.html

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-14/apos-renuncia-bento-xvi-diz-que-vai-se-retirar-da-vida-publica-e-ficara-escondido-do-mundo

 

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