Revolução Russa (100 anos)

Revolução Russa (100 anos)

Por Fernando Rebouças

Até o ano de 1917, o Império Russo era composto por uma monarquia absolutista mantida por uma nobreza rural, exército forte e com a presença da Igreja Ortodoxa Russa. Em 1904, a Rússia tinha uma população de 171 milhões de pessoas, a maior da Europa.

Antes da Primeira Guerra Mundial, apesar do simbolismo forte do czarismo (o imperador na Rússia era denominado como “czar”) grande parte de sua população vivia na miséria ao mesmo tempo em que a ideologia socialista penetrava no país.

A Revolução Russa ocorreu em dois grandes momentos no ano de 1917, no mês de fevereiro e de outubro, marcados por conflitos que derrubou a monarquia czarista e iniciou um processo de planificação da economia com a implantação do poder nas mãos do partido Bolchevique apoiado por operários e camponeses que se sentiam revoltados com a antiga monarquia. Posteriormente, surgiria a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) anexando territórios e países vizinhos ao bloco soviético que perduraria até o ano de 1991.

Dois momentos marcantes da Revolução Russa

– Fevereiro de 1917 – Momento de queda da autocracia do Czar Nicolau II, o último Czar que governou a Rússia antes da revolução. A revolução ocorrida em fevereiro de 1917 tentou estabelecer uma república liberal no país.

– Outubro de 1917 – O governo provisório pós-czarista foi derrubado com a iniciativa do Partido Bolchevique apoiado pelos partidos socialistas moderados, abrindo caminho para a implantação da URSS.

No mês de outubro de 2017, o mundo comemorou os 100 anos de Revolução Russa, reavaliando os seus reais fatores acima das histórias oficiais registradas pelos vencedores da revolução: Lênin e Stálin. No livro “A Revolução Russa”, escrito pela professora australiana, Sheila Fitzpatrick, publicado no Brasil pela editora Todavia, revela novos pontos de vistas como o relato a seguir:

“Imediatamente depois do golpe bolchevique de outubro, jornais kadeti emitiram um chamado às armas pela salvação da revolução, tropas legalistas do general Krasnov enfrentaram sem sucesso forças bolcheviques e Guardas Vermelhas na batalha das colinas de Pulkovo, nos arredores de Petrogrado, e houve combates encarniçados em Moscou. Nesse round preliminar, os bolcheviques saíram vitoriosos. Mas era quase certo que haveria novos confrontos. Nos amplos exércitos russos nos fronts sul da guerra contra a Alemanha e a Áustria-Hungria, os bolcheviques eram menos populares que no norte e no oeste (…) Lênin considerava imperativo concluir um acordo de paz. Era lógico, dado o estado das forças de combate russas e a probabilidade de os bolcheviques logo enfrentarem uma guerra civil.”

(pág 109 e 110)

Atualmente, historiadores tentam avaliar se a Revolução Russa foi somente um movimento de operários camponeses ou, assim como ocorrera com a Revolução Francesa, se houve a manipulação de grupos de elite política e econômica na derrubada da monarquia absolutista e na implantação do regime socialista. Para outros historiadores, os reflexos da Revolução Russa estão permanentes em pleno século XXI com a manutenção do regime socialista militar na Coreia do Norte e da morosidade de reabertura cubana.

Conheça mais o livro indicado:

http://www.todavialivros.com.br/livros/a-revolucao-russa

Leia mais um trecho do livro:

“Stalin não tinha nenhum dos atributos que os bolcheviques normalmente associavam a uma liderança extraordinária. Não era uma figura carismática, nem um hábil orador, nem um teórico marxista notável como Lênin ou Trótski. Não era um herói de guerra, um filho virtuoso da classe operária e nem mesmo alguém muito intelectualizado. Era um “borrão cinza”, nas palavras de Nikolai Sukhanov – um bom político de bastidores, um expert no funcionamento interno do partido, mas um homem sem distinção pessoal. A suposição generalizada era de que Zinoviev, e não Stalin, era o membro predominante do triunvirato do Politburo.”

Capa:

Leia também: 

REVOLUÇÃO CUBANA – 50 ANOS (1959 – 2009)http://agendapesquisa.com.br/revolucao-cubana-50-anos-1959-2009/

FIM DA URSShttp://agendapesquisa.com.br/fim-da-urss/

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