Setor de transporte no estado do Rio Grande do Sul

Setor de transporte no estado do Rio Grande do Sul

Por Fernando Rebouças

1 – Introdução

O Brasil por ser um país de dimensões continentais apresenta uma ampla rede articulada de transporte e modais de distribuição para atender diferentes pontos do território nacional com o objetivo de garantir o deslocamento de passageiros, produtos e insumos. Para que o setor de transporte brasileiro ajude no crescimento da economia é fundamental que governos e empresas empreendam melhorias e inovação na infraestrutura de vias e veículos seja no meio agrário, urbano ou industrial.

O Brasil apresenta cinco modos de transporte: rodoviário, ferroviário, aquaviário (marítimo e hidrovias), aéreo e dutoviário. O estado do Rio Grande do Sul é atendido pelos cinco modos de transporte que, em seu conjunto, contribuem no desenvolvimento do estado.

No modo hidroviário, o estado do Rio Grande do Sul possui importante malha hidroviária, principalmente, nas bacias litorânea e do Guaiba, onde estão localizadas as principais rotas dos rios Jacuí, Taquari, Sinos, Guaíba e Lagoa de Patos. No transporte marítimo, o Porto de Rio Grande possui grande influência no Mercosul, sendo integrado ao sistema rodoviário e ferroviário da região. No ano de 2005, o Porto de Rio Grande atingiu mais de 18 milhões de toneladas transportadas. O estado ainda conta com o Porto de Porto Alegre, Porto de Estrela e Porto de Pelotas.

O setor aeroviário é bem representado pelo Aeroporto Salgado Filho, situado na capital do estado, Porto Alegre. Em média, o aeroporto recebe a movimentação de 8,3 milhões de passageiros ao ano,  com mas de 80 mil aeronaves ao ano de linhas nacionais e internacionais. No estado do Rio Grande do Sul, também há o Aeroporto de Caxias do Sul utilizado para voos comerciais de médio porte nacional.

As ferrovias do estado constituem 3.260 quilômetros de linhas e ramais utilizadas, predominantemente, para o transporte de cargas. Alguns trechos das ferrovias não estão em atividade, havendo concentração de cargas nas regiões da Grande Porto Alegre, Passo Fundo, Cruz Alta e Uruguaiana.

O sistema de rodovias recebe maior parte da carga de mercadorias transportadas no estado, além da maioria de passageiros que viajam à trabalho ou lazer. Atualmente, o estado do Rio Grande do Sul possui 153.960 km de rodovias.

O modal rodoviário é o mais utilizado para o transporte de passageiros entre as cidades gaúchas. O sistema de ônibus intermunicipal, por exemplo, é gerido pelo DAER (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem). Estima-se que as rodovias do estado atinjam 153,9 mil quilômetros de extensão, possibilitando também acesso aos países vizinhos Argentina e Uruguai.

2- Perfil do setor no RS

Atualmente, o estado do Rio Grande do Sul possui uma rede multimodal de transportes bem estrutura, porém centralizada no modal rodoviário. No ano de 2005, as rodovias correspondiam a 85% de todo o transporte realizado, esse percentual apresentou elevação para 88% no ano de 2014. No ano de 2004, na média brasileira, as rodovias correspondiam a 68% do total transportado com redução para 52% em 2011.

As rotas hidroviárias do interior do estado ainda não são excessivamente exploradas, o mesmo ocorre com as linhas ferroviárias em parte desativadas. Além de aeroportos e portos marítimos, o estado do Rio Grande do Sul já possui uma rede dutoviária para movimentação de insumos. Em virtude de sua localização geográfica, o Rio Grande do Sul serve de passagem para grande parte dos produtos comercializados entre os países do Mercosul, principalmente, entre Brasil e Argentina através das rodovias BR 116, BR 101, BR 386 e BR 290.

Portanto, o Rio Grande do Sul serve como importante corredor estratégico para a economia e o sistema logístico do Brasil. A partir do Plano de Metas elaborado entre os anos 1986 e 1989 pelo governo federal, os corredores consolidados para o transporte compôs o PRODEST (Programa de Desenvolvimento do Setor Transportes) que determinava esses corredores a missão de selecionar régios, modais de transportes e meios que facilitassem o transporte, a modernização e a redução de custos no sistema de transportes. Na época, o programa reconheceu a área de influência do porto de Rio Grande, da malha rodoviária e ferroviária do estado como “Corredor de Exportação do Rio Grande do Sul”.

3- A importância do setor

Segundo dados do ano de 2015, o município do estado do Rio Grande do Sul que apresenta o maio PIB per capita é o município de Triunfo, as riquezas na região são geradas a partir do Polo Petroquímico que demanda do sistema de transportes  do estado, principalmente, do rodoviário, dutoviário e aquaviário. Os município de Pinhal da Serra e Aratiba seguem como os maiores geradores de crescimento no estado com atividades vinculadas à geração de energia. Porém, em quarto lugar, o município de Muitos Capões se destaca pela produção de soja e milho, produtos que também demandam do sistema de transportes do estado tanto para a exportação quanto para o mercado nacional.

O sistema de transporte do Rio Grande do Sul para cargas e passageiros também ajuda no setor industrial. No ano de 2002, segundo dados do IBGE, a produção física da indústria gaúcha somente no primeiro bimestre daquele ano registrou crescimento entre 1,7% e 2,41%.

No início dos anos 2000, a produção de material de transporte, utilizado para a montagem e fabricação de caminhões, reboques, peças e demais implementos rodoviários registraram crescimento na produção e contribuiu com o crescimento econômico do estado do Rio Grande do Sul.

A reestruturação da cadeia automotiva no Rio Grande do Sul verificada a partir do início dos anos 2000, foi incentivada pelo aumento da produção agrícola e industrial no estado que demandou de mais veículos. Esse ambiente consolidou, entre 2000 e 2012, um processo de introdução acelerada de novas tecnologias, inovação e um novo posicionamento de produtores insumos para o setor de transportes, montadoras, fornecedores de pelas e serviços para o setor.

Fundada em Caxias do Sul, no ano de 1949, a empresa Marcopolo é reconhecida como a maior fabricante de carrocerias de ônibus da América Latina. A empresa matem acordo com a multinacional Iveco no intuito de produzir carrocerias na China. A empresa também exporta peças e carrocerias em parcerias nas Américas, Àfrica e Oriente Médio.

4 – Perfil do mercado de trabalho

Além de motoristas e atendentes com formação no nível médio e técnico, o setor forma e contrata profissionais com ensino superior como para as áreas de engenharia de produção e química, gestores em tecnologia da informação, gestores administração, direito, e demais áreas que ajudem a profissionalizar desde o planejamento até a administração de determinado modal.

Os principais custos do setor que impactam no valor de taxas, tributos e passagens estão no óleo diesel, lubrificantes e mão de obra. Em média, segundo pesquisa da CNT/Sensus, os gastos com o caminhão corresponde a 50% da renda bruta do caminhoneiro autônomo.

Em fevereiro de 2016, a partir de dados consolidados no ano de 2015, o setor de transportes no estado do Rio Grande do Sul registrou queda nas contratações, o setor de serviços de transporte registrou uma retração de 6,1%, o transporte terrestre, sozinho, teve percentual de queda de 10,4%.

A queda nas contratações no setor de serviços de transporte foi causada pela queda na produção industrial e agrícola, segundo relatos do departamento de serviços e comércio do IBGE. No ano de 2015, o setor de transporte registrou crescimento zero nas contratações no estado do Rio Grande do Sul.

5 – Relevância do setor

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) realizou a Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador do ano de 2016, o documento comprovou que a crise econômica do Brasil gerou forte impacto negativo no setor do transporte. Cerca de 60% das empresas registraram diminuição de receita bruta, e 58,8% tiveram que reduzir o número total de viagens. Grande parte das empresas, 74,6% do total, reclamaram de elevação de custo operacional. O documento entrevistou 795 transportadores de todo o Brasil nos modais rodoviário, ferroviário de cargas, metroferroviário, urbano de passageiros por ônibus, aquaviário e aéreo.

No Rio Grande do Sul, o maior impacto foi percebido na grande Porto Alegre. A queda no faturamento das empresas do setor de transporte teve influência do aumento do desemprego registrado no estado do Rio Grande do Sul entre 2014 e 2016 devido à crise econômica no Brasil. Segundo dados consolidados no ano de 2016 pela Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre, divulgados em janeiro de 2017 pela FEE (Fundação de Economia e Estatística), o contingente de pessoas desempregas nos principais municipais da grande Porto Alegre subiu 78,7% atingindo 202 mil indivíduos.

Entre dezembro de 2014 e dezembro de 2016, a taxa de desemprego na Região Metropolitana passou de 5,9% para 10,7%. Esse fator impacta na produção, distribuição e consumo na região atingindo o setor de transporte no estado do Rio Grande do Sul.

Portanto, o setor de transporte é relevante para o estado para a consolidação da produção e distribuição de produtos e serviços, porém sensível aos ambientes econômicos externos de nível nacional e internacional.

6 – Tendências do setor de transporte no Brasil

Para compreendermos as oportunidades e fraquezas dos diferentes ambientes de negócios nesse setor é válido avaliar as tendências do setor de transporte no Brasil. Segundo estimativas do Plano CNT de Transporte e Logística, o país precisa investir mais na infraestrutura de portos, aeroportos, ferrovias e hidrovias, cujo valor a ser investido deve ser de 1 trilhão de reais nos próximos anos.

Parte desse investimento deverá ser oriundo dos estados e do governo federal e outra de aportes da iniciativa privada. A parceria com o setor privado é essencial para governos estaduais que, no país, já apresentam desde 2014 perdas em suas finanças como os estado do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.

Para o Brasil ter um novo impulso econômico a partir dos anos 2020, é necessária a reforma e reconstrução de todos os modais do país, o que possibilitará geração de mais riquezas e geração de emprego para a população. A CNT (Confederação Nacional do Transporte ) afirma que o ano de 2018 deve ser dedicado à infraestrutura existente e ao planejamento de construção de novas vias.

Essas iniciativas garantirão um novo ciclo duradouro de desenvolvimento econômico sustentável. Veja a seguir trecho do documento que cita o Rio Grande do Sul:

“Essas perspectivas configuram-se para o sistema de transporte do Rio Grande do Sul em grandes estratégias organizacionais, institucionais e operativas, centradas em três pontos fundamentais: o modelo institucional, o sistema portuário e a utilização do sistema como eixo de desenvolvimento. Assim, para a modernização do setor são estratégicos o novo modelo institucional, tanto ao nível federal como nos segmentos estadual e municipal, e a consolidação da função planejamento, que nesse cenário se constitui num processo de características múltiplas. Trata-se de implementar um conceito de planejamento de transportes em sua concepção mais ampla e integrada, Embora essa função deva estar presente em todos os organismos modais.”

Mesmo que o Brasil e a América do Sul se desenvolvam economicamente nos próximos dez anos, a falta de investimentos no transporte na região do cone, região que abrange o estado do Rio Grande do Sul poderá comprometer a consolidação do PIB futuro e do setor de transportes no país.

7- Análise da Cadeia Produtiva (ou distribuição de produtos e serviços) 

A partir de 2017, o setor de transportes no Brasil começou a sofrer com a elevação de custos causada pelos novos aumentos do preço da gasolina e do óleo diesel pela Petrobrás. Praticada a partir do mês de julho de 2017, a nova política de preços da Petrobras permite À empresa realizar reajustes diários nos preços de combustíveis das refinarias até as distribuidoras.

Esse fator impacta no setor de transportes de carga e passageiros, não somente no uso do combustível nos veículos, mas na utilização desses derivados do petróleo na produção e manutenção de peças, motores, estradas e demais sistemas.  Segunda a presidência da CNT (Confederação Nacional do Transporte), é necessário que o governo tome medidas, pois o aumento da gasolina e do diesel sufoca o setor de transportes no país.

O aumento da gasolina pode sobrecarregar o cálculo final dos custos totais de produção do setor e retardar a criação de novos empregos. A CNT realizou a Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador 2017, no documento 84,2% das empresas de transporte no Brasil não concordam com a atual política de reajuste de preços da Petrobrás, pois a mesma pode impactar no preço de peças e demais materiais de transporte.

No setor rodoviário, por exemplo, um caminhão ou um ônibus para ser fabricado e montado precisa de motor, peças, pneus, carrocerias, lanternas, sistema elétrica, pintura e mão de obra especializada aplicada no projeto e na montagem do veículo. A circulação de um veículo nas rodovias demanda de motoristas treinados para determinada função (passageiros ou cargas) e de serviços como o seguro do veículo.

8 – Conclusão

Percebemos que o setor de transporte no estado do Rio Grande do Sul é estratégico para o Brasil e para o Mercosul (bloco econômico de livre comércio entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). O setor colabora na geração de riqueza, de emprego e na qualidade do transporte para o Brasil e para o mundo com inovação tecnológica e otimização de recursos tecnológicos e humano.

É essencial que o país aplique investimentos nos modais de transportes já existente no estado do Rio Grande do Sul e planeje a sua expansão de modo sustentável para a economia e o meio ambiente.

Consideramos o setor uma das principais portas para o desenvolvimento da região e da consolidação do sistema logístico e para o deslocamento qualitativo de pessoas.

Referências:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2017/01/desemprego-na-grande-porto-alegre-cresce-78-em-dois-anos-9580449.html

http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/transportes-no-brasil.htm

http://www.cnt.org.br/Imprensa/noticia/crise-afeta-setor-de-transporte-mas-ha-otimismo-moderado-para-2017

http://www.cnt.org.br/imprensa/Noticia/nova-politica-precos-petrobras-prejudica-transportador

https://pt.wikipedia.org/wiki/Transportes_do_Rio_Grande_do_Sul

*Dados do Estudo Rumos 2015; do Plano Estadual de Logística e Transportes 2014 (PELT-RS) e do Plano Nacional de Logística e Transportes 2012 (MT/PNLT – Relatório Final, Brasília, setembro/2012. 243p.) link de acesso: http://www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/modais-de-transporte

http://carta.fee.tche.br/article/industria-de-material-de-transporte-bom-desempenho-mas-perspectivas-pessimistas/

https://revistas.fee.tche.br/index.php/ensaios/article/view/3517

https://revistas.fee.tche.br/index.php/ensaios/article/view/3517/3580

http://www.investrs.com.br/rodovias

https://www.economiaemdia.com.br/EconomiaEmDia/pdf/infset_transporte_rodoviario_de_cargas.pdf

 

 

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